Formada a cerca de duas semanas, a Associação Brasileira de Fomento às Pequenas Centrais Hidroelétricas começou a se movimentar para destravar os investimentos na fonte renovável. Os dirigentes da AbraPCH estiveram em Brasília para reuniões tanto como o governo federal - Casa Civil e Ministério de Minas e Energia - quanto na Câmara dos Deputados e na Agência Nacional de Energia Elétrica. E viram que terão muito trabalho para mudar a imagem da fonte, que, praticamente, desapareceu dos leilões de energia nova realizados pela Aneel.
O diretor-presidente da nova associação, Ivo Pugnaloni, entregou uma carta e um estudo para mostrar o retrato atual da PCH no país e suas potencialidades. O executivo disse que viu uma grande desinformação sobre a fonte e concluiu que o cenário só mudar com muito trabalho, sobretudo, de informação sobre o segmento. "Será uma tarefa longa, difícil e trabalhosa", salientou em entrevista àAgência CanalEnergia.
Tanto o estudo quanto a carta mostram o vasto potencial da fonte, que tem projetos com capacidade instalada de 9 mil MW prontos para serem desenvolvidos no curto prazo. Desses 2 mil MW precisam viabilizar contratos de compra e venda de energia para serem construídos e garantir o financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social. Outros 7 mil MW tem projetos básicos concluídos aguardando aceite da Aneel.
A entidade mostrou ainda que existem 1.880 MW em eixos já inventariados disponíveis na Aneel para a realização de projetos que não são registrados pelos interessados, segundo a carta encaminhada, por falta de estímulos. Além disso, ainda há um potencial ainda não inventariado estimado em 18 mil MW.
A AbraPCH propôs a criação de um programa de incentivo às fontes sustentáveis, a semelhança do Proinfa, incluindo, além das PCHs, eólicas, térmicas a biomassa e solar. Pugnaloni disse ainda que um desejo dos empreendedores é que sejam realizados leilões por fontes com preço justo e isonomia de tratamento. As PCHs devem, este ano, se restringir ao leilão A-3, já que o leilão de Energia de Reserva é exclusivo para eólicas e o A-5 terá foco nas térmicas a gás natural e carvão e nas hidrelétricas de grande porte.
Para o diretor-presidente da associação, é necessário também um amplo programa de divulgação das fontes renováveis para esclarecer a população dos benefícios da contratação. Entre eles está uma cadeia produtiva brasileira, no caso da PCH 100% nacional, redução das emissões de gases do efeito estufa e a complementariedade com as grandes hidrelétricas. Adicionalmente, poderia se evitar ou minimizar o despacho térmico como que ocorre atualmente. "Estamos gastando R$ 2,8 bilhões por mês com esse despacho", frisou o executivo.
Ivo Pugnaloni afirmou que os empreendedores também terão que mostrar que podem fazer PCHs com custos menores do que os apresentados atualmente e entregar a energia prometida. Levantamento do MME, que a AbraPCH já requisitou, mostra que as PCHs chegaram a entregar 30% menos da garantia física estabelecida. Isso fez com que o ministério reduzisse o prazo de reavaliação da garantia de quatro anos para seis meses.
"Temos dever de casa para fazer. É possível reduzir os custos e aprender a fazer PCHs de custo mais reduzidos. São projetos muito customizados. Em primeiro lugar, temos que reabilitar a PCH de menor custo nos leilões", apontou Pugnaloni.
Fonte: CanalEnergia

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