Custo alto da energia e do gás prejudica a competitividade





A produção de gases industriais, cloro, soda e PVC, por exemplo, são eletrointensivas. Enquanto nos EUA o custo do megawatt hora está entre US$ 40 e US$ 50, no Brasil custa o dobro, na casa dos US$ 90. Como diz Fátima Giovanna, diretora de economia e estatística da Abiquim, os produtores químicos se abastecem no mercado livre de energia. Para eles, a redução do custo da energia elétrica, em decorrência das mudanças regulatórias promovidas em 2012 pelo governo federal, praticamente não trouxe benefícios.






Os preços de dois insumos básicos da indústria química, energia elétrica e gás natural – este último utilizado como fonte energética e matéria-prima petroquímica – afetam a competitividade da indústria nacional a ponto de paralisar fábricas e desestimular investimentos. A constatação é da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim).

A produção de gases industriais, cloro, soda e PVC, por exemplo, são eletrointensivas. Enquanto nos EUA o custo do megawatt hora está entre US$ 40 e US$ 50, no Brasil custa o dobro, na casa dos US$ 90. Como diz Fátima Giovanna, diretora de economia e estatística da Abiquim, os produtores químicos se abastecem no mercado livre de energia. Para eles, a redução do custo da energia elétrica, em decorrência das mudanças regulatórias promovidas em 2012 pelo governo federal, praticamente não trouxe benefícios.

O setor químico também é o maior usuário industrial de gás natural como fonte de energia para caldeirarias. Polos petroquímicos, produtores de fertilizantes e de químicos inorgânicos estão entre os principais usuários. Nesse caso, a diferença é de um custo para o consumidor industrial, dependendo de sua localização, entre US$ 13 a US$ 14 por BTU (Unidade Térmica Britânica) no Brasil, contra US$ 3 ou US$ 4 nos EUA.

A diferença de custo energético desestimula investimentos. Em 2012, o país importou 1,1 bilhão de toneladas de soda, a um custo de US$ 420 milhões, e 403 mil toneladas de PVC, pagando por isso US$ 469 milhões. “São volumes que justificariam a construção de novas unidades produtivas no país”, diz Giovanna.

O gás natural também é a principal matéria-prima da petroquímica. Ele é utilizado na produção de insumos químicos como etano, base da cadeia produtiva do plástico, por exemplo; na produção da ureia, utilizada em fertilizantes, no metanol, base de várias resinas, nos isocianatos, que servem para fabricar espuma, e no negro de fumo, utilizado na produção de pneus e de tintas.

Segundo Giovanna, o Brasil importa entre US$ 8 bilhões e US$ 9 bilhões por ano de produtos da cadeia produtiva do gás natural. Em 2012 foram importadas 2,8 bilhões de toneladas de ureia, 51,4 mil toneladas de negro de fumo e quase 638 mil toneladas de metanol, enquanto produtores brasileiros estão trabalhando com alto índice de ociosidade em suas fábricas. Algumas unidades estão paralisadas, como a fábrica de metanol da GPC Química e a fábrica de isocianato da Dow.

O consultor Otávio Carvalho, da Maxiquim, diz que o custo do gás natural tem desviado investimentos que poderiam ser feitos no Brasil. Empresas brasileiras, como a Braskem, por exemplo, adiaram para 2014 a decisão sobre investimentos no Polo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), mas acelera seus planos produtivos no México. Unigel e Oxiteno também levaram investimentos para o México. “Se quisermos uma indústria petroquímica completa, temos que ter custos próximos aos americanos”, afirma.


Fonte: + Energia - 27/05/2013]


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