Agentes aprovam novo mecanismo de aversão ao risco

Modelo CVaR foi apresentado nesta quarta-feira (24) pelo governo

O novo mecanismo de aversão ao risco para modelos computacionais apresentado pelo Ministério de Minas e Energia (MME), nesta quarta-feira (24/07), o CVaR – Valor Condicionado a um dado Risco, foi bem recebido pelos agentes do setor elétrico. O método visa incorporar o que hoje é pago como Encargo de Serviço de Sistema por Segurança Energética (ESS), devido ao despacho de térmicas fora da ordem de mérito, ao Preço de Liquidação de Diferenças (PLD).

O MME explicou que as termelétricas mais baratas serão despachadas com mais frequência e com isso, diminuirá a necessidade de acionar as térmicas mais caras.

Luiz Fernando Viana, presidente da Associação Brasileira dos Produtores Independentes de Energia Elétrica (Apine), parabenizou o governo pela iniciativa, mas demonstrou preocupação quanto aos parâmetros: “A avaliação é que o estudo foi muito bem feito e um resultado muito coerente. Tem dois parâmetros no CVaR, que são determinantes na quantidade de térmicas que vão operar. A única preocupação que ficou é a questão dos critérios das mudanças desses parâmetros. Mas o secretário (Zimmermann) me assegurou pessoalmente que vai ser algo bastante eventual se acontecer e vai passar por todo o processo da CEPAMP, ONS, validação, todo processo que passou nessa atual fase. Então, nós tivemos a tranquilidade de que vai ter um critério muito rígido para essa eventual alteração, se vier ocorrer. Nós achávamos que o ideal seria a implantação desse modelo em janeiro de 2014”.

Luciano Pacheco, diretor técnico-regulatório da Associação Brasileira de Grandes Consumidores Industriais de Energia (Abrace), destacou que o CVaR garantirá maior segurança e trará previsibilidade. E demonstrou também preocupação quanto aos critérios de mudança dos parâmetros: “É uma metodologia importante. Não avaliamos todo o impacto dela, mas no geral era o que se esperava há muito tempo. Uma vez estabelecida a metodologia, a expectativa é que os parâmetros sejam seguros e essas novas regras operem no sistema mais previsível”.

Reginaldo Medeiros, presidente da Associação Brasileira dos Comercializadores de Energia (Abraceel) afirmou que apesar do PLD aumentar, devido ao despacho mais frequente de térmicas mais baratas, os agentes estavam na expectativa da apresentação desse modelo: “O diálogo do ministro com os agentes é extremamente positivo. E essa opção que o governo adotou é correta, devido a análise de riscos, que era um pedido dos agentes há algum tempo. Os parâmetros são definidos e só podem ser mudados por lei. Por isso, esse modelo traz mais segurança para o sistema, embora o PLD vai aumentar. Ele vai despachar térmicas mais baratas para poupar água nos reservatórios. A primeira impressão é de que não haverá despacho fora da ordem de mérito. Acho que estimula a contratação a longo prazo e a venda dos excedentes, assegurando a expansão de oferta”.

Da parte do governo, Maurício Tolmasquin, presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), ressaltou que esse foi um passo importante para o setor. “Com essa modificação, você passou a ter um mercado de curto prazo com um preço mais realista, que vai fazer com que os geradores tenham um incentivo a fazer plantas para o mercado livre, os grandes consumidores têm incentivo a fazer contrato para o mercado de longo prazo e os geradores tem incentivos a manter as suas plantas operando. Então a gente passa a ter uma situação muito mais saudável, com preço mais realista. E além disso, você praticamente elimina a questão do encargo, que era um ônus para todo o setor. O consumidor sobretudo se beneficia porque a questão do encargo desaparece”, disse.

Fonte: Jornal da Energia - 25/07/2013

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