Uma guerra judicial aberta por associações de empresas do setor de energia contra o governo está deixando em aberto uma conta de cerca de R$ 3 bilhões referente ao pagamento das usinas térmicas. O ponto de partida da pendenga foi a mudança de regra para o pagamento das térmicas, que são ligadas quando há risco de falta de energia. Em março deste ano, a regra foi alterada por uma resolução do Conselho Nacional de Política Energética. Por essa nova regra, entre abril e julho deste ano, metade da conta das térmicas continua a ser paga pelos consumidores, mas a outra metade deveria ser rateada com comercializadores e geradores. A maioria dos novos pagadores, porém, não concordou com a divisão. Entidades do setor e mesmo algumas empresas entraram na Justiça para não pagar. Para explicar a falta de sentido da nova regra, um executivo que prefere não se identificar utiliza a seguinte analogia: "Ratear a conta das térmicas, inclusive com as próprias térmicas, equivale a convidar um amigo para jantar num restaurante caro e, ao final, dividir a conta com o garçom, o chefe de cozinha e o gerente." A maioria concorda com esse raciocínio. "A minha empresa comercializa energia, não consume", diz Marcelo Parodi, sócio da comercializadora Compass.
Fonte: O Estado de S. Paulo - 02/07/2013

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