A alemã E.ON culpou a queda nos preços da energia no atacado e o avanço das fontes renováveis pelos declínios no lucro do primeiro semestre e na utilização da capacidade instalada em suas operações de geração.
A concessionária alemã reiterou que estuda o fechamento ou desativação, na Europa, de usinas alimentadas a combustíveis fósseis, como forma de reagir ao que descreve como políticas de energia "intervencionistas" e regras que subsidiam e priorizam as fontes renováveis.
"Muito vai depender das decisões políticas futuras, que em grande medida não podem ser previstas", disse o executivo-chefe da empresa, Johannes Teyssen. "Uma análise séria da situação indica que, ao menos para 2013 e 2014, não há recuperação à vista".
A baixa demanda, decorrente da recessão na Europa, levou à queda nos preços da energia no atacado. Enquanto isso, a priorização das energias solar e eólica na rede diminuiu a demanda pela geração a gás e a carvão fora dos períodos de pico, com o que algumas usinas são obrigadas a operar com prejuízo ou a fechar.
As atividades de armazenagem de gás da E.ON também perderam receita porque diminuiu a necessidade de retirada de grandes volumes de gás das instalações de armazenagem.
As ações da E.ON e de sua rival doméstica RWE caíram para o menor patamar em dez anos.
"Esses fatores adversos vão continuar e, de acordo com nossa análise, na verdade, podem ficar piores", disse Teyssen. "É por isso que anunciei, no início do ano, que estamos reagindo [...] cortando custos e aprimorando a eficiência [...] Cada vez mais, contudo, também precisamos considerar o fechamento e desativação de alguns ativos".
Em julho, a E.ON anunciou que iria desativar uma usina a gás em Malzenice, na Eslováquia, - que havia entrado em atividade há dois anos - porque não conseguia operá-la lucrativamente no atual cenário.
"A menos que o cenário de negócios na indústria de energia em nossos principais mercados europeus mude tangivelmente, outros fechamentos de usinas serão inevitáveis", disse Teyssen.
O lucro líquido da E.ON no primeiro semestre, sem incluir variações cambiais e aquisições, caiu 42%, em relação ao mesmo período de 2012, para € 1,9 bilhão, superando as estimativas dos analistas, de cerca de € 1,8 bilhão. As ações valorizaram-se 2,1% cotadas a 12,50, ontem.
A analista Nathalie Casali, do J. P. Morgan, disse que os números da E.ON são fortes, mas que seus resultados foram afetados por impactos excepcionais.
A companhia alemã tenta compensar os problemas domésticos com a expansão para fora de seus mercados tradicionais europeus, a países como Brasil e Turquia [no Brasil passou a controlar a MPX, companhia de energia elétrica do grupo EBX, por meio de um aumento de capital de R$ 800 milhões]. Também investe pesadamente em fontes renováveis.
Embora a administração tenha descrito o cenário europeu como "tempestuoso", destacou, em teleconferência, que não precisará levantar novo capital. A E.ON comunicou que teve progressos em seu programa de vendas de operações.
A empresa prevê lucro líquido anual entre € 2,2 bilhões e € 2,6 bilhões, excluindo variações cambiais e aquisições.
Fonte: Valor Econômico - 14/08/2013

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