Fabricantes eólicos pedem espaço no planejamento dos leilões

Empresas vêm demanda concentrada em 2015, mas sem previsão para o ano seguinte

O último leilão de reserva de energia eólica, realizado em agosto, atendeu às expectativas dos fabricantes da cadeia de energia eólica quanto ao volume negociado, que superou 1.5GW. O setor ainda tem mais dois leilões pela frente em 2013, o A-3 em novembro, e o A-5 em dezembro, onde acredita que atingirá o que considera como o mínimo necessário para manter a indústria no País, com 2GW ao ano contratados.

Apesar do novo fôlego para a cadeia, os fabricantes têm visto um cenário perigoso para 2016, já que toda a produção que está sendo comercializada nos certames prevê a entrega dos parques de setembro de 2015 a janeiro de 2016 – provenientes do A-5 de 2011, LER 2013, e o próximo A-3 – sem demanda para o restante do ano.

“Talvez, escalonar essa entrega seja uma solução”, avaliou João Paulo Silva, gerente comercial da WEG. A empresa possui 124MW previstos para até 2015, sendo 100MW resultantes de um pré-acordo, e não tem capacidade fabril de atender mais pedidos. No entanto, para 2016, não tem perspectivas de demanda.

“Não sei qual é a solução e não estou criticando a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), uma vez que ela tem que planejar a contratação da energia. Mas esse é um problema que nos afeta, e que vai causar transtornos ao investidor, que pode ter que pagar a conta pelo atraso”, completou o gerente da WEG.

Para Paulo Soares, gerente geral da Vestas, é muito importante que o planejamento também considere essa entrega dos equipamentos. Segundo ele, “é possível que isso leve a uma falta crítica de componentes e que atrase a entrega da cadeia”.

A situação coloca uma falta de previsibilidade também para os fabricantes dos componentes dos aerogeradores, que poderão elevar seus preços ou condições de entrega, e assim mudar a relação em todos os elos da cadeia, até chegar ao investidor.

“A realidade é que o fabricante gosta de ter uma demanda previsível, e um cenário de entrega escalonada é mais próximo ao ideal. Mas a falta de constância, pode não incentivar os fornecedores dos componentes do meu equipamento a chegar a um preço razoável, já que eu preciso de compromissos com a cadeia”, concluiu o diretor da Acciona, Chrstiano Forman.

Fonte: Jornal da Energia - 05/09/2013

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