Inclusão da aversão ao risco no cálculo do PLD elevou o valor e a probabiliade de que a energia de curto prazo seja mais cara para o consumidor que fica exposto
A tendência de preços no Brasil tanto no ACL quanto no ACR é de alta para o mercado de curto prazo. Com a inclusão da aversão ao risco na formulação do PLD, e todo o momento que o setor elétrico vive com a entrada de mais usinas a fio dágua e fontes intermitentes como a eólica o Brasil não poderá mais ficar com térmicas desligadas por longo período de tempo.
O presidente da Thymos Energia, João Carlos Mello, apresentou nesta segunda-feira, 21 de outubro, durante o 1º Encontro Nacional de Consumidores de Energia, quatro séries até 2017 onde demonstra que a inclusão da aversão ao risco elevou as perspectivas de preços de energia quando comparadas com o New Wave original. Todas as séries apresentam PLD mais elevado quando comparado com o original e que era utilizado até setembro, descontando, naturalmente o período de transição com o delta PLD.
"Temos quatro agrupamentos que consideram o cenário úmido, intermediário úmido, intermediário seco e seco. Em todos o Cvar tem o sinal maior que o original, então dá para concluir que alguma coisa mudou. O recado é que tem sinal diferente para o mercado no PLD", afirmou ele na apresentação.
De acordo com Mello, observando o padrão do PLD com a inclusão da aversão ao risco é notada um aumento da probabilidade de que o preço de curto prazo seja mais alto e por um periodo de tempo mais elevado, principalmente por um período de tempo no curto prazo. Esse movimento, disse o executivo, acompanha o novo padrão de despacho térmico e que por isso tende a elevar o PLD.
Além disso, lembrou ele, a expansão do sistema, com a inclusão de mais energia nova tende a amortecer o desconto originado com a MP 579.
A avaliação de Ricardo Cyrino, diretor de Gestão de Energia e de Comerciallização da AES Tietê, confirma a nova tendência do PLD em se tornar mais voltátil e arriscado por conta de questões como atrasos em obras de expansão, que podem elevar o preço no curto prazo.
Contudo, no médio e no longo prazos, a tendência de preços é de maior estabilidade. Essa sinalização é compartilhada tanto por Mello quanto Cyrino. Isso porque no horizonte de mais longo prazo o equilíbrio entre a demanda e a oferta tem como base no ACL a demanda da grande indústria, que leva em conta a sua produção em um cenário de mais longo prazo.
Cyrino disse que em contratos com perfis mais longos há uma descontaminação nos preços de contratação. Esse fenômeno é notado com mais amplitude dentro do contrato se o acordo for fechado com mais antecedência. Esse movimento é explicado pelo executivo da Thymos porque a influência dos preço no curto prazo leva em conta o PLD com base no PMO cuja tendência é de valores mais altos para o atendimento do sistema no curto prazo. Já no médio e longo prazo, a indústria e a sua previsão de demanda tem influência direta nos valores do mercado livre.
E nesse sentido, acrescentou Carlos Caminada, gerente de risco e Inteligência de Mercado da Ecom Energia, o mercado vivenciou uma redução da expectativa de consumo em cerca de 1.500 MW médios, resultado de uma economia cujo desempenho tem se mostrado mais fraco do que o esperado.

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