Com PLD a 360,00/MWh : Cesp prevê preços mais altos para 2014

Comentário do Instituto ILUMINA:

Basta ler os trechos em negrito abaixo para perceber que há algo muito errado com o sistema elétrico brasileiro. Será que alguém conhece algum outro exemplo no planeta que forneça um mesmo produto, o kWh, homogêneo e sem rótulo de origem, por um valor 100 vezes menor do que o “preço de mercado”? Mesmo que haja uma avaliação equivocada sobre a importância do preço de curto prazo na reportagem, a CESP fez muito bem em recusar a bizarrice federal. É melhor não dar vexame quando essa história vier a ser contada no futuro. 

O leilão A-1 ocorre para tapar o buraco decorrente da barbeiragem do governo ao achar que todas as empresas iriam aceitar a ridícula tarifa, tal como as empresas da Eletrobrás tiveram que engolir. Adicione-se a absurda declaração de que ´os preços foram escolhidos para agradar os geradores”. Frase do presidente da EPE!

A Cesp, que não aderiu à proposta de renovação antecipada das concessões do setor elétrico, é agora uma das geradoras que mais possuem energia disponível, ativo que custa hoje R$ 336 por MWh no mercado de curto prazo. O valor equivale a 100 vezes, aproximadamente, a tarifa que o governo federal havia estabelecido para a energia produzida pelas hidrelétricas da companhia - e que foi recusada pela Cesp no ano passado. 

Em teleconferência com analistas de investimentos, o presidente da estatal paulista, Mauro Arce, afirmou que a empresa terá 1 mil MW de energia descontratada em 2014. O que o governo federal mais deseja neste momento é que Cesp venda todo esse volume no próximo leilão de energia existente (A-1), marcado para o dia 17 de dezembro. Nesse leilão, as distribuidoras precisarão recontratar uma grande quantidade de energia, em torno de 6 MW. Caso contrário, as companhias terão de comprar todo esse volume no mercado de curto prazo ao longo do próximo ano, a preços bem mais altos, despesa que será repassada para a conta de luz. 

Ao ser perguntado se a Cesp pretende vender energia no leilão A-1, Arce preferiu manter o suspense e disse apenas que ainda estuda essa possibilidade. A decisão não foi tomada. Mas ele admite que os preços estabelecidos pelo governo federal são "interessantes". Os contratos válidos por um ano vão custar R$ 192 por MWh, enquanto os contratos de um ano e meio serão vendidos por R$ 166 por MWh. 

Na segunda-feira, Mauricio Tolmasquim, presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), ligada ao Ministério de Minas e Energia (MME), disse que os preços foram escolhidos para agradar os geradores. 

"Se você me perguntar se eu prefiro R$ 192 por MWh ou R$ 230 por MWh, eu prefiro o segundo preço", disse o Arce, de forma irônica, referindo-se às notícias de que a própria Agência Nacional de Energia Elétrica projeta que os preços ficarão em torno de R$ 230 por MWh em 2014 - para o PLD (Preço de Liquidação das Diferenças). 

Segundo Arce, há estudos que indicam que o PLD ficará em média entre R$ 200 e R$ 220 por MWh em 2014. Nos meses mais chuvosos, entre janeiro e março, é possível que os preços caiam, mas, depois disso, as cotações tendem a subir novamente. 

Sobre o impasse envolvendo a usina de Três Irmãos, a primeira hidrelétrica do país que será relicitada pela União, Arce afirmou que espera que a questão esteja resolvida até o fim do ano. Na próxima quarta-feira, haverá nova reunião em Brasília para discutir o assunto. As negociações estão sendo conduzidas pelo secretário de Energia do Estado de São Paulo, José Aníbal. O leilão de Três Irmãos está marcado para o dia 31 de janeiro. 

A Cesp julga ter direito a receber uma indenização de R$ 3,8 bilhões, enquanto o governo federal quer pagar à estatal apenas R$ 1,7 bilhão. Segundo Arce, as alterações contábeis envolvendo Três Irmãos devem ser efetuadas no quarto trimestre. É provável que a Cesp seja obrigada a realizar uma perda contábil. Arce, porém, afirmou que isso só será conhecido após as negociações com o governo federal e que os valores podem afetar o resultado ou não. "Estamos negociando". 

Enquanto isso, a estatal está reduzindo seus quadros e seus compromissos com credores para se ajustar à nova realidade a partir de 2015, quando vai devolver mais duas usinas, Jupiá e Ilha Solteira. A estatal ficará só com uma hidrelétrica de grande porte, Porto Primavera, mas não se sabe o que o Estado de São Paulo fará com o ativo. 

Segundo Arce, a Cesp espera chegar em 2015 com cerca de 700 funcionários. Foram desligadas recentemente 220 pessoas, que aderiram a plano de demissão incentivada, o reduziu o quadro da companhia para cerca de 1 mil empregados. 

Roberto D’Araujo

Fonte: Por Claudia Facchini | De São Paulo – Valor – 20/11/2013



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