Objetivo é levar discussão sobre a fonte aos empreendedores das regiões sudeste e centro-oeste
Está marcado para o próximo dia 05/12/2013 em Belo Horizonte, no Auditório do CREA-MG, o terceiro encontro sobre o Futuro das Pequenas Centrais Hidrelétricas. Ele sucederá os dois encontros anteriores, também promovidos pela ABRAPCH, realizados em Curitiba em agosto e em Florianópolis em outubro e que juntos reuniram mais de 350 empresários de toda a cadeia produtiva do setor.
Segundo o engenheiro Ivo Pugnaloni, presidente da ENERCONS e da ABRAPCH, associação setorial nacional e uma das entidades promotoras, o evento tem como objetivo reunir principalmente os interessados nesta fonte renovável nos estados de Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, Espirito Santo e Goiás, onde já são 254 os projetos parados na ANEEL, totalizando mais de 3022 MW. Considerando Mato Grosso do Sul e Tocantins esse total ultrapassa os 3500 MW, equivalente a 25% de uma nova Itaipu.
“Depois da decisão da diretoria colegiada da ANEEL de 26 de setembro ultimo, que acabou com a exigência irregular de licenciamento ambiental antes da análise de projetos pela agência, a liberação das outorgas poderá pode ocorrer com brevidade. Se o governo tiver preços justos nos leilões, isso tornará possível aplicarmos investimentos privados da ordem de 20 bilhões de reais, que irão gerar energia suficiente para atender mais de 8 milhões de habitantes, em menos de dois anos.”, ressalta o executivo da entidade setorial.
“Precisamos ouvir os colegas desta região, trazer a eles nossa mensagem de que é preciso que nos organizemos melhor e que estejamos mais próximos e em contato permanente, para que possamos defender nossos pontos de vista. Em Minas Gerais, mais precisamente em Diamantina, foi construída a primeira hidroelétrica do Brasil ainda em 1879 e a primeira linha de transmissão da América do Sul. Isso é muito simbólico e significativo para nós. A região conta com centenas de pequenas usinas em operação atualmente, algumas gerando energia há mais de sessenta, setenta anos. Temos aqui todo esse novo montante de mais de 3500 MW para construir, muito próximo dos grandes centros e não na Amazônia, onde os problemas ambientais e conflitos atrasam as obras e assim, fazem as termoelétricas serem cada vez mais acionadas, desnecessariamente. Isso não apenas eleva as tarifas ao consumidor final, mas desloca e inviabiliza investimentos produtivos, em favor da queima de recursos em petróleo importado. Isso não é economicamente sustentável. O ministério de minas e energia precisa enxergar o setor a longo prazo e considerar esses fatores, quando receber da EPE novas propostas para impor preços tão baixos às PCHs que assim procede alegando buscar a modicidade tarifária. A experiência mostra que, no setor elétrico, aquilo que aparente ser muito barato agora, na maioria das vezes, sairá muitíssimo mais caro depois. Como a geração termoelétrica. E como dizem os mineiros com sua sabedoria, nem tudo que reluz é ouro.”, completou.
“Caso a ANEEL e a EPE entendessem o grande e efetivo valor das PCHs para o sistema, o governo poderia, se quisesse, evitar as graves dificuldades ambientais e ainda o problema adicional de construir linhas de transmissão de grande extensão, cujo custo se iguala aos das próprias usinas, como Belo Monte”, explica Plínio Pereira, secretário da entidade e executivo da EMPA empresa mineira do ramo da construção pesada, para quem é fundamental a presença de todos os interessados, pois estarão presentes várias autoridades com enorme responsabilidade na questão. “A cadeia produtiva das PCHs é enorme e toda ela é nacional, mas vinha sendo destruída. Este terceiro encontro é mais um passo da retomada dos investimentos que representarão energia firme, a custos muito menores do que os gastos enormes com termoelétricas anunciados pelo governo federal.”, completou.
Ao evento já confirmaram presença os diretores da ANEEL, André Pepitone da Nóbrega e da EPE, José Carlos Miranda, autoridades do governo de Minas Gerais como os secretários de desenvolvimento econômico, Dorothea Werneck e de meio ambiente, Danilo Ventura Junior e Monica Neves Cordeiro do IMDI. Também conformadas estão as presenças do presidente da FIEMG, Olavo Machado Junior, além dos deputados Pedro Uczai, da frente parlamentar das PCHs e Welliton Prado, presidente da subcomissão de energia elétrica e fontes renováveis da câmara dos deputados.
O evento pretende reunir empresários e interessados de toda cadeia produtiva, como fabricantes, desenvolvedores, projetistas, agentes financiadores, consultores e acadêmicos, tendo além da promoção da ABRAPCH e do Comitê Brasileiro de Barragens, o apoio do CREA-MG, da FIEMG, do Centro Nacional de Referencia das PCHs, da Frente Parlamentar das PCHs e da Subcomissão de Energia Elétrica e Fontes Renováveis da Câmara dos Deputados.
”Apesar de não constarem na lista da ANEEL, estamos fazendo um grande esforço para obter todos os telefones dos interessados com registros de projetos parados na agencia, para convidá-los a comparecer, pois é muito importante estarmos todos juntos.”, informa Eudes Eduardo Lopes, diretor da VOLT e da ABRAPCH, que mantem no seu site uma página para inscrição dos interessados.
Encontros na Amazônia e em Brasília
Segundo Pugnaloni, depois de Belo Horizonte, a série de encontros regionais promovidos para reunir os governos e os empresários interessados na retomada dos investimentos em pequenas centrais poderia incluir um encontro na região amazônica, no norte do país, culminando com outro, em Brasília, de caráter nacional, no início de 2014, promovido também em parceria com a Frente Parlamentar das PCHs e com a subcomissão de fontes renováveis da câmara.
Destinado a discutir as questões específicas da sustentabilidade da fonte quando inserida em biomas como o amazônico, o encontro na região norte promete ser polêmico. “As PCHs, com seus reservatórios menores do que, em média, quinze campos de futebol, ao contrário do apregoado, têm impactos altamente favoráveis ao ambiente em todos os biomas, mas principalmente na Amazônia. Lá as unidades de conservação criadas pelas nossas áreas de preservação permanente podem ajudar muito a conservar e proteger as margens dos rios e ainda, gerar muitos benefícios e participação nos resultados, às comunidades indígenas e ribeirinhas. Desde que é claro, estas sejam ouvidas desde o início dos estudos e projetos, na forma da convenção 169 da OIT, da qual o Brasil é signatário.”, completou.
Portal PCH - 07/11/2013


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