Comentário da ABRAPCH:
Como ensinava Goebbels.
A julgar pelas declarações de algumas autoridades do setor elétrico o Brasil é um país único mesmo. É o único país do mundo que “perdeu seu potencial hidrelétrico” em apenas dois anos.Em 2011, na Câmara Federal, o Dr Maurício fez uma apresentação para a Comissão de Assuntos Estratégicos. Nela fica claro que 59% do potencial hidrelétrico remanescente do Brasil, de 190 GW estava na região Amazônica. Automaticamente, 41% do potencial remanescente está fora dessa região. A pergunta que não quer calar, e que fazemos daqui deste pequeno comentário ao Dr Tolamasquin é : “Se é assim, qual seria a razão pela qual todos -100% dos empreendimentos hidráulicos escolhidos pela EPE para serem leiloados está fora das regiões Centro Oeste, Sul, Sudeste e Nordeste? Porque só na Amazônia ? Porque só lá, onde as complicações de toda a ordem acontecem, só lá a EPE “quer porque quer” fazer novas hidrelétricas ? Teimosia? Cumprimento da vocação de ocupação do território? Ou simples gosto, vontade de provocar conflitos? Se é assim, se o interesse é provocar conflito, porque construir usinas sem reservatório, depois de tanto trabalho, tanta luta, tanto atraso?
A EPE não poderia leiloar por exemplo, metade dos 40% remanescentes que estão fora da Amazônia?
Ou será haveria algum interesse não-energético, mas político, “de segurança nacional” em “afirmar nossa soberania”, de “mostrar quem manda no pedaço”, de “atestar nossa autoridade”, mesmo que isso leve a conflitos com entidades ambientais, comunidades indígenas e religiosas?
E ainda mais: mesmo que isso provocasse atraso nas obras, indenizações aos empreiteiros, conflitos trabalhistas, “claims” pelas mais diversas razões, que aumentam o valor da obra levando a discussão ao judiciário?
Alguém no governo ainda não terá percebido e estranhado essa preferencia quase obsessiva em escolher sempre empreendimentos na Amazônia, com todos esses problemas, atrasos, impedimentos levam a um absurdo gasto com termoelétricas a diesel, de mais de 22 bilhões em pouco mais de um ano, de propriedade de meia dúzia de grupos econômicos, alguns inclusive, baseados na própria Amazônia?
A EPE precisa publicar os estudos que justificam essas escolhas, urgente.
Enquanto esses estudos não forem publicados, o governo federal não terá como fazer frente a uma permanente e insidiosa campanha de desinformação, promovida por grupos econômicos e governos de outros países, aparentemente interessados em impedir o desenvolvimento dos potenciais hidrelétricos brasileiros, com objetivos não muito claros.
Esta campanha, como se sabe, usa apenas apelos emocionais e não fatos reais e científicos. Ela consiste em repetir, dia-após-dia, que o “potencial hidroelétrico do Brasil está esgotado”, fazendo-o não através de estudos, mas sim através de artistas de novelas de TV, promovidos à categoria de formadores de opinião sobre assuntos ambientais, por grupos ainda não perfeitamente identificados.
Se a EPE e a ANEEL continuarem se fazendo de mudas a essas inverdades e até confirmando-as com sua mudez ou com afirmações superficiais, sem embasamento, sobre “o fim do potencial hidrelétrico do Brasil”, simplesmente aderindo ou “indo na onda” dos que promovem essas campanhas midiáticas, a sociedade brasileira será vítima de uma verdadeira bravata, de uma grande mentira, repetida mil vezes de várias formas.
Sem divulgar os estudos que o Brasil já tem sobre esse assunto, divulgando-os amplamente à sociedade, estas campanhas midiáticas serão a única voz.
E a verdade única será a da voz dos que continuarão a fazer circular e penetrar na consciência da sociedade , sem qualquer resposta científica, muitas inverdades.
Tais como a que “reza” que “só sobraram sem explorar os potenciais na região amazônica, mas lá os conflitos com povos indígenas não permitem o aproveitamento dos potenciais”, quando existem não apenas leis e decretos suficientes para a oitiva das populações indígenas, de forma a assegurar todos os seus direitos segundo a Convenção da OIT 169, mas muitas outras usinas fora da Amazônia e especialmente destas áreas, fato que poderia diminuir a tensão sobre essa inexorabilidade de construir hidrelétricas na Amazônia, reduzindo o “stress”, os atrasos e a dependência de termoelétricas.
Enquanto isso, curiosamente, os mesmos que proclamam o fim do potencial hidrelétrico do Brasil, continuarão defendendo ardorosamente o uso do fracking como maneira de encontrar “gás barato” no Brasil, sem ao menos discutir o que é isso com a sociedade. Tudo muito conveniente e matematicamente interligado. Infelizmente, em cima de uma grande mentira, repetida mil vezes, como ensinava Goebbels.
Presidente da EPE reconhece que há certo desconforto em não conseguir colocar mais hidrelétricas em disputa no certame
O segundo leilão A-5 deste ano, marcado para o dia 13 de dezembro, deverá contar com apenas duas novas hidrelétricas, a UHE São Manoel (MT/PA - 700 MW) e a UHE Itaocara (RJ/MG - 145 MW). A ideia inicial de ter cinco novas centrais, entre as 11 cadastradas, foi praticamente abandonada e o governo acredita que poderá ter apenas essas duas usinas. Além destas, na fonte hídrica, que terá a prioridade de contratação, estão previstas a ampliação da UHE Santo Antônio (RO - 418 MW) e a participação de Pequenas Centrais Hidrelétricas.
"Hoje tem duas usinas que tem alguma condição de ter a licença sendo que São Manoel ainda está em discussões e não está garantida. Além disso, temos Itacocara, que depende apenas da Declaração de Disponibilidade Hídrica, expedida pela Agência Nacional de Águas. São Manoel ainda depende justamente do parecer da Funai", afirmou o presidente da Empresa de Pesquisa Energética, Maurício Tolmasquim.
Tolmasquim lembrou ainda que o Brasil utiliza apenas um terço de seu potencial hídrico e, em sua avaliação, não termos hidrelétricas no leilão é uma coisa que cria certo desconforto. "Acho que deveríamos ter mais hidricas participando", acrescentou. Itaocara, continuou ele, está mais próximo de ir ao leilão do que a de São Manoel, em função da dificuldade da obtenção das licenças que ainda faltam.
Para 2014, o governo deverá leiloar a UHE São Luiz do Tapajós (PA - 6.133 MW), que, na opinião de Tolmasquim, é um desafio grande por ser uma usina estruturante e que, por isso, possui dificuldades de realizar a licitação, que seria feita nos moldes como foram realizados os leilões das usinas do complexo do Madeira e de Belo Monte (PA - 11.233 MW).
Além disso, os leilões previstos para 2014 poderão ser adiantados para o primeiro semestre. A meta, disse Tolmasquim, é dar mais prazo para os empreendedores implantarem os projetos, diferentemente do realizado este ano. Além de dois leilões de linhas de transmissão, fora o bipolo de Belo Monte, o governo trabalha com a hipótese de um A-3 e um A-5 e ainda não há a decisão por realizar um leilão de energia de reserva.
Fonte: Portal PCH - 19/11/2013

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