Setor de Energia pressiona aumento das emissões de GEE

Entre 1990 e 2012 emissões aumentaram 126% no segmento, segundo relatório do Observatório do Clima

O setor de energia vem pressionando o aumento das emissões de Gases do Efeito Estufa, segundo relatório divulgado nesta quinta-feira, 7 de novembro, pelo Observatório do Clima. Entre 1990 e 2012, houve um aumento de 126% nas emissões do segmento, passando de 193,1 milhões de toneladas de carbono equivalente (t CO2e) para 436,7 milhões de t CO2. Apenas entre 2010 e 2012 o crescimento foi de 13,4%. Em sentido oposto, as emissões do setor de Mudanças de Uso da Terra, onde estão incluídas as ações de desmatamento - ainda responsável pela maior parte das emissões de gases do efeito estufa no Brasil - reduziram 42%.

No geral, o Brasil passou de um total de 1,39 bilhão de toneladas de carbono equivalente em emissões brutas de gases do efeito estufa em 1990, para 1,48 bilhão de t CO2e, em 2012, um aumento de 7%. No mundo, no mesmo período, as emissões cresceram 37% e passaram de 38 para 52 bilhões de t CO2e. No relatório, além de Energia e Mudanças de Uso da Terra, foram analisados os setores de Processos Industriais e Resíduos, cujas emissões aumentaram 65% e 64% e, o setor Agropecuário, que teve alta de 45% nas emissões.

Em 2012, as principais fontes primárias de energia utilizadas no Brasil foram petróleo (39,2%), cana-de-açúcar (15,4%), hidráulica (13,8%), gás natural (11,5%) e lenha (9,1%). As demais fontes, representaram no conjunto, apenas 11%. Apesar da predominância do petróleo e do crescente uso do gás natural, a matriz energética brasileira ainda apresenta uma elevada participação de fontes renováveis (42,4%), se comparada com a média mundial, que é de aproximadamente 16%. Em relação à matriz de geração elétrica, a participação fontes renováveis é ainda mais acentuada, representando 84,6% da oferta interna de eletricidade.

"A matriz fortemente renovável garante ao país uma posição confortável perante as nações desenvolvidas quando estão em pauta as emissões de gases do efeito estufa do setor de energia. A análise da evolução das emissões, no entanto, pede mais atenção, caso o comportamento observado nos últimos anos se consolide, indicando uma redução dessa zona de conforto", aponta o relatório. Ele mostra ainda que na geração de eletricidade tem crescido de modo significativo a participação de fontes não renováveis representando em 2012, 16,7% do total gerado, contra 11,9% em 2011, de acordo com o Balanço Energética Nacional 2013.

Cláudio Sales, presidente do Instituto Acende Brasil, comentou que o Brasil vai precisar cada vez mais de complementação térmica. "Alguns anos serão mais severos, outros mais amenos, mas o país vai precisar de geração térmica", declarou o executivo, que participou do seminário Emissões Brasileiras de GEE 2012, que aconteceu nesta quinta-feira, 7 de novembro, e onde foi lançado o relatório.

No subsetor de transportes, a curva de consumo de combustíveis fósseis - puxada pelo diesel e, mais recentemente, também pela gasolina - é francamente ascendente, apesar da importância da produção de etanol e de biodiesel. Entre 1990 e 2012, as emissões de CO2e cresceram em números absolutos 143% e em participação de 43,4% para 46,8%. Em relação às emissões nacionais brutas de gases do efeito estufa, o setor de Energia participou com 6,8 bilhões de toneladas de carbono equivalente ou 15% do total nacional de emissões computadas no período 1990 a 2012.

Fonte: Canal Energia - 07/11/2013


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