Mercado está para aquisições, diz CPFL Renováveis

Alta fragmentação do mercado e aumento do risco em eólicas são os principais fatores que trazem maior atratividade segundo seus parâmetros de retorno

A CPFL Renováveis acredita que o mercado de geração eólico deverá se concentrar nas mãos de poucos concorrentes. Associada a essa percepção, a companhia acredita que o momento do mercado está mais favorável às aquisições em função de um menor nivel de risco, imposto pela transferência da responsabilidade da conexão ao investidor e ao aumento do P50 para o P90. A companhia se coloca como uma das empresas que poderão estar nesse mercado nos próximos anos.

Um dos fatores que levam a empresa a se posicionar desta maneira é explicado pelo fato de o mercado ainda possuir grande número de investidores. Essa fragmentação potencializaria os movimentos de aquisições. No caso da CPFL, a busca de oportunidades está nas regiões que promovam sinergias com o seus ativos de geração.

"Hoje o momento está mais favorável a aquisições por menor risco em comparação com projetos greenfield por conta de diversos fatores. Na eólica, por exemplo, há a responsabilidade de conexão do investidor bem como o P90. Por outro lado, é preciso ver ainda que há as condições de financiamentos do BNDES que ajudam a aumentar a atratividade por novos projetos", afirmou o diretor presidente da CPFL Renováveis, André Dorf.

O executivo explicou que a empresa pode investir tanto em projetos que estão em desenvolvimento ou em outros que já estão em operação. A decisão depende do atendimento às taxas internas de retorno estabelecidos pelos acionistas da companhia. Esse índice não é revelado.

Em sua primeira reunião com analistas e investidores promovida pela Apimec-SP, a CPFL Renováveis disse que seu crescimento orgânico pode se dar por meio de seu portfolio de projetos. São 3,8 GW ao total sendo 3,2 GW em eólicas e 628 MW em PCHs. No caso da eólica, a maior em termos de projetos na empresa, são 254 MW em capacidade instalada prontos para comercialização seja em leilão ou no mercado livre. Há ainda outros 1,8 GW em capacidade com cerca de um ano de medições de ventos.

Aliás, o diretor presidente da companhia disse que poderá participar do leilão de energia nova A-5 que ocorrerá daqui a 10 dias. Porém, não garante que poderá apresentar lances dependendo da concorrência. Ele acredita que a disputa será mais acirrada do que a apresentada nos dois certames já realizados este ano, mas não quis arriscar um patamar de preços.

Outra fonte que a companhia ainda avalia é a solar, nesse campo a tendência é do desenvolvimento de projetos próprios. A CPFL Renováveis possui 345 MW em estudos concentrados na Bahia. A empresa descarta, pelo menos por enquanto, aquisições nesse campo porque não faz sentido comprar projetos ainda sem contratos.

O CFO da empresa, Marcelo Souza, explicou que para a empresa decidir pela aquisição de um ativo precisa ser atendida a taxa interna de retorno e um item fundamental para a decisão é a existência de um contrato de longo prazo.

"Se não existir um PPA não faz sentido adquirir esses projetos, nesse caso temos os nossos em desenvolvimento", disse ele. "Há diferentes taxas de retorno em nosso modelo, para os ativos de geração greenfield a taxa é mais elevada porque há os riscos inerentes à construção. Esse risco é eliminado quando você tem um projeto já em operação porque já passou a fase de construção", acrescentou.

Fonte: Portal PCH - 04/12/2013

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