Alto custo para construir usinas inviabiliza os projetos
Minas Gerais desperdiça 80% do seu potencial de geração de energia elétrica através de pequenas centrais hidrelétricas (PCHs), conforme o diretor da Associação Brasileira de Fomento às Pequenas Centrais Hidrelétricas (Abrapch), Plínio Pereira. O aproveitamento da capacidade ainda disponível no Estado pode render aportes de R$ 28 bilhões nos próximos anos.
Os dados foram apresentados durante o "Futuro das PCHs", evento realizado ontem em Belo Horizonte para discutir o cenário do setor. De acordo com o diretor da entidade, enquanto o Estado tem potencial de gerar 5 mil megawatts com as PCHs, atualmente nem mil megawatts estão em produção.
São diversos os fatores que levam ao baixo aproveitamento do potencial tanto em Minas quanto no país. Entre eles está a falta de incentivos para os investimentos nas pequenas centrais, dificuldade no licenciamento ambiental, além do custo elevado na comparação com outros tipos de empreendimentos.
O investimento médio para produzir 1 megawatt em uma PCH é de R$ 7 milhões. Em uma usina hidrelétrica, por exemplo, os aportes necessários são de aproximadamente R$ 3 milhões. Com a baixa competitividade, diversos projetos não são viabilizados. Em Minas, há projetos que contemplam produção de cerca de 2.130 megawatts que ainda não saíram do papel. Segundo Pereira, somente para o desenvolvimento desses empreendimentos os aportes somaram R$ 500 milhões.
Outro fator que vem inviabilizando os aportes em PCHs é a falta de política de preços compatível com os custos e benefícios das usinas. Para o próximo leilão de energia, por exemplo, que irá ocorrer no dia 13 próximo, o preço médio de R$ 144 por megawatt não é viável. O valor considerado mínimo é de R$ 170. Além disso, a falta de isonomia nas políticas de tributos entre as fontes de energia renováveis e a priorização das usinas eólicas e solares acabaram por impactar os aportes na construção de novas PCHs.
Brasil - De acordo com as informações apresentadas no evento, o Brasil produz 4.794 megawatts através de PCHs. São 475 usinas. A maior parte está instalada em Minas, que concentra 101 centrais hidrelétricas, produzindo 833 megawatts.
O país também está aquém de sua capacidade de produção, com potencial para 24.945 megawatts com a construção de pequenas centrais. As PCHs respondem por apenas 3,9% da matriz energética do Brasil. Na China, por exemplo, este índice é de 55% e na Índia é de 9%.
Fonte: Diário do Comércio - 06/12/2013


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