Preço baixo da geração atrapalha setor de PCHs



Tempo envolvido para análises de potencial hidrelétrico e para liberação dos órgãos reguladores também é desafio

Apesar de apresentar vantagens como um menor impacto ambiental e mais confiabilidade na geração de energia, o segmento de Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs) sofre imensas dificuldades para desenvolver novos projetos. O principal obstáculo enfrentado é o preço estipulado para esses empreendimentos nos leilões de energia promovidos pelo governo federal. Além disso, o tempo envolvido com a análise de um eventual potencial hidrelétrico e na liberação dos órgãos reguladores é outro problema que precisa ser resolvido.

Enquadram-se como PCHs usinas que tenham uma capacidade instalada de 1 MW a 30 MW - suficiente para iluminar uma cidade com cerca de 35 mil habitantes. O presidente executivo da Associação Brasileira de Geração de Energia Limpa (Abragel), Charles Lenzi, frisa que a PCH é uma fonte renovável, de energia limpa. O presidente da Associação Brasileira de Fomento às Pequenas Centrais Hidroelétricas (Abrapch), Ivo Augusto de Abreu Pugnaloni, acrescenta que, como os potenciais de PCHs encontram-se próximos aos centros de cargas (Sul e Sudeste), isso diminui a necessidade de maiores obras em sistema de transmissão para escoar a energia.

Se esses são os fatores favoráveis a essa fonte, o custo da geração está atrapalhando o seu crescimento. Para o leilão de energia marcado pelo governo federal para o dia 13 de dezembro, o preço estipulado para a geração de PCHs ficou em R$ 144,00 o MWh. Tanto Lenzi como Pugnaloni consideram o número aquém do adequado. O presidente da Abrapch indica como preço “alvo” um patamar de R$ 165,00 o MWh. No leilão, saem vencedores os empreendimentos que ofertarem o menor preço pela produção da energia. Para o próximo certame, foram cadastrados 929 projetos (entre termelétricas, usinas eólica etc), que somam 35.067 MW. Mesmo com o valor considerado baixo, em relação às PCHs foram inscritos 40 projetos, que significam 647 MW.

Pugnaloni adianta que a esse preço podem ser viabilizados apenas empreendimentos muito bons, com quedas d’água altas, ou cujo prazo de outorga está estendido e o projeto precisa ser materializado para não perder o direito. Conforme o dirigente, o cenário atual leva o País a uma dependência da termeletricidade (uma energia de maior impacto ambiental) e provoca a retração dos investidores de pequenas centrais hidrelétricas.

“Precisamos recuperar o prestígio da PCH dentro da expansão da geração de energia elétrica”, concorda Lenzi. Além do preço da energia, o dirigente cita entre os desafios a serem superados o longo ciclo de desenvolvimento de uma PCH. Desde o momento de identificação do potencial até alcançar a operação comercial são mais de dez anos, aponta. Os processos ambientais demorados implicam outros empecilhos. “Hoje, existem no Brasil aproximadamente 700 projetos esperando análise na Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) que acabam não indo para frente, porque dependem da liberação”, lamenta o presidente da Abragel. Esse conjunto de empreendimentos soma em torno de 7 mil MW e absorveria aproximadamente R$ 30 bilhões em investimentos. Lenzi calcula que em torno de 800 MW desse montante encontram-se no Rio Grande do Sul.

O presidente da Abragel admite que a PCH, em questão de custos, perdeu competitividade em relação a outra fonte renovável: a eólica. No entanto, o dirigente destaca que as PCHs têm vantagens, como o fato de contar com um reservatório, que permite regularizar o suprimento de energia. Já a eólica depende do vento.


Fonte: Portal PCH - 03/12/2013

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