O que vai definir o resultado do leilão é a relação entre o preço-teto oferecido para o certame e a previsão de preço no mercado à vista ao longo de 2014. O valor do leilão está dado, mas prever as oscilações de preços no médio prazo é um verdadeiro exercício de futurologia.
O valor que baliza as transações, calculado e divulgado toda sexta-feira pelo Operador Nacional do Sistema (ONS), segue um modelo que associa uma série de dados. O mais decisivo deles é o volume de chuvas.
Para se orientarem, as companhias de energia recorrem a climatologistas e suas previsões do tempo. Segundo Carlos Magno, presidente da Clima Tempo, que atendem várias empresas de energia, a perspectiva climática não muda muito entre dezembro e fevereiro. Haverá chuva acima da média no Sul e bombas d'águas no Sudeste, que vão dar trabalho à defesa civil, mas não vão melhorar o nível dos reservatórios das hidrelétricas. O Nordeste permanece sob os efeitos do calor escaldante. "Teremos uma mudança a partir de março, quando chove muito", diz Magno.
A partir do segundo semestre de 2014, porém, há indícios que o País ficará sobre a influência do El Niño. "O fenômeno bloqueia o avanço de frentes frias do Sul, assim, eleva as chuvas no Sul, reforça a seca no Nordeste e equilibra as precipitações no Sudeste", diz Magno. "O resultado dessa associação é que teremos pressão sobre os preços da energia em 2014."
Agora, o preço no mercado à vista está caindo, o que favorece o leilão do dia 17. Há duas semanas estava na casa de R$ 360 o MWh. Na semana passada ficou em R$ 310. Neste é de R$ 275. Mas parte da queda ocorreu porque o modelo do ONS projetou chuvas mais generosas do que aconteceram depois. O descompasso entre a chuva prevista e a real ocorreu também no final de 2012 e gerou reclamações junto à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Estudos indicaram que a discrepância ocorre por falta de ajustes em variáveis do modelo de cálculo do ONS. Analistas otimistas acreditam que em 2014 o preço da energia cairá a R$ 140, o que também beneficiaria o leilão. A PSR trabalha com uma média de R$ 200, mas considera factível que 2014 repita 2013, e o preço médio fique em R$ 250 o MWh. /A.S.
Fonte: Estadão - 08/12/2013

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