O acionamento das usinas térmicas para evitar um risco de apagão no País em 2013 levou a um aumento tanto no fornecimento quanto no consumo de gás natural, segundo dados divulgados ontem pela Petrobrás e pela Associação Brasileira das Empresas Distribuidoras de Gás Canalizado (Abegás).
A Petrobrás anunciou que bateu novo recorde de entrega de gás natural nacional ao mercado no ano passado, com uma média anual de 44 milhões e 500 mil metros cúbicos por dia (m³/d), 3,2% maior que o verificado em 2012.
O pico no fornecimento de gás natural foi registrado no mês de março, quando a média ficou em 47 milhões e 900 mil m³/d, informou a companhia em comunicado.
Já a venda de gás natural das distribuidoras estaduais cresceu 17,8% em 2013 na comparação com 2012, de acordo com os dados da Abegás.
No ano passado, a demanda total por gás no País alcançou 67,166 milhões de m³/d, refletindo o uso mais intenso de termoelétricas durante 2013 para garantir o suprimento de energia elétrica no País.
Os dados da Abegás mostram que o consumo médio de gás pelas termoelétricas foi de 26,301 milhões de m³/d em 2013, um crescimento de 64,55% em relação a 2012.
A linha "outros", que inclui as usinas não faturadas pelas distribuidoras, mas que remuneram as companhias pelo uso do sistema de distribuição, também teve um significativo crescimento no período, de 31,18%, passando a 2,639 milhões de m³/d.
Chuvas fracas. Em 2013, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) precisou acionar todas as térmicas do sistema para evitar que o País enfrentasse um novo apagão.
Isso porque as chuvas mais fracas no fim de 2012 e no início do ano passado e o forte crescimento do consumo de energia pressionaram os reservatórios das hidrelétricas, que iniciaram 2013 nos níveis mais baixos dos últimos dez anos, tanto no Sudeste quanto no Nordeste.
Como resultado, o consumo térmico de gás foi bastante elevado no início de 2013, desacelerando ao longo do ano. O volume recorde foi apurado em maio de 2013, quando o setor elétrico demandou 30,695 milhões de m³/d.
Desde então, o consumo veio gradualmente diminuindo, fechando em 23,461 milhões de m³/d em dezembro passado. Ainda assim, é provável que a demanda térmica por gás natural continue elevada durante este ano.
Ano instável. Excluindo o consumo das termoelétricas, o mercado de distribuição de gás no Brasil não teve um bom ano, exceto nos setores de pequenos volumes.
A demanda industrial, por exemplo, teve recuo de 0,96%. Outro segmento ligado ao industrial que teve queda foi o de cogeração, cujas vendas caíram 15,67%. Apenas o uso do gás pela indústria para matéria-prima teve crescimento entre 2012 e 2013, de 2,06%.
As vendas para o setor automotivo recuaram 3,67%. Em contrapartida, o consumo residencial de gás cresceu 9,19% e o da classe comercial aumentou 4,04%.
Na visão da Abegás, o fraco desempenho do mercado não térmico revela a necessidade de incentivos para o setor de gás brasileiro, de modo que o insumo possa competir com os outros energéticos substitutos.
Quanto ao recorde no fornecimento de gás natural, a Petrobrás destacou a entrega maior para geração termoelétrica na Região Norte. Mas a companhia lembrou ainda que houve contribuição do início da operação em novos campos de gás não associado nos últimos anos, além da elevação da produção do campo de Lula, que produz gás associado no pré-sal da Bacia de Santos, e do Parque das Baleias, no Espírito Santo.
Fonte: Estadão - 30/01/2014

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