Guido Mantega disse que sem avaliação dos níveis dos reservatórios não há razão para definir reajuste
O governo ainda não decidiu quanto da disparada dos preços da eletricidade no atacado será repassado diretamente às contas de luz, nem se haverá algum subsídio extra do Tesouro para minimizar o impacto para o consumidor. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou nessa terça-feira, após a divulgação do balanço do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), que a definição de reajuste ainda vai depender de “um cenário mais claro” da situação do setor elétrico, a partir dos reflexos das últimas chuvas sobre o atual nível crítico dos reservatórios das hidrelétricas do Sudeste e do Centro-Oeste, que forçou ao acionamento das usinas termelétricas, de geração bem mais cara.
Sem a reavaliação do cenário, o ministro ressaltou não ver razão para se definir aumentos de tarifas agora, muito menos qual será a participação do Tesouro na cobertura do custo das termelétricas e das pressões de custos com a energia comprada no mercado de curto prazo. “Ainda não temos definições, porque não sabemos se vai chover, se não vai", resumiu. Ele afirmou apenas que o Orçamento deste ano reservou R$ 9 bilhões para aportar na Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), fundo setorial usado também para compensar perdas das distribuidoras. “Está indefinido se vamos colocar recursos ou repassar custos à tarifa”, finalizou.
Presente ao evento do PAC, o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, também procurou comentar o arranjo imaginado para driblar o imbróglio que pode eliminar a promessa do Planalto de redução de 20% em média no valor das tarifas. Para ele, a questão está com a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). “No momento apropriado, a Aneel fará estudos e decidirá se haverá aumento. O valor da conta de luz será conhecido ao longo do ano, conforme o calendário da revisão tarifária nos estados. Nem sempre o reajuste é para maior, pode até ser para menor”, esquivou-se.
Mas um sinal de que a escassez da geração hidrelétrica continua preocupando o governo veio com a notícia da sua autorização para o reinício de operação da termelétrica de Uruguaiana, no Rio Grande do Sul, por dois meses entre março e abril. A usina foi recolocada no planejamento do setor para ajudar na economia de água nos reservatórios das hidrelétricas.
Segundo afirmou o secretário-executivo do Ministério de Minas e Energia, Márcio Zimmermann, a usina acrescentará mais 250 megawatts (MW) ao sistema elétrico nacional. A retomada dela foi autorizada pelo Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) e se dará a partir da queima de Gás Natural Liquefeito (GNL), a exemplo do ano passado, quando foi usado GNL importado. O insumo, na ocasião, foi transportado de navio até a Argentina, de onde seguiu em dutos até a usina.
O secretário voltou a descartar risco de desabastecimento de energia este ano e disse que a esperança do governo é de que as chuvas voltem à normalidade. “A expectativa é de que o quadro caminhe para uma normalização da estação chuvosa na Região Sudeste”, disse.
Fonte: Portal PCH - 21/02/2014

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