Especialistas vêem relação entre falha no fornecimento e nível dos reservatórios

Apesar do governo negar, especialistas do setor de energia elétrica vêem relação entre a interrupção no fornecimento que aconteceu na última terça-feira, 4 de fevereiro, e o baixo nível dos reservatórios, principalmente do subsistema Sudeste/Centro-Oeste. Segundo eles, os constantes recordes de demanda estressam não só a geração como também a transmissão de energia e no momento da interrupção, a Linha Colinas - Serra da Mesa estava mandando 5 mil MW da hidrelétrica de Tucuruí, no Norte do país, para o Sudeste/Centro-Oeste e Sul.
"Não dá para isolar os fatos. O sistema está registrando recordes de demanda e precisa buscar energia de todos os lados. Com esses picos, estamos usando tudo no limite", avalia Erik Rêgo, consultor da Excelência Energética. O Operador Nacional do Sistema Elétrico divulgou nesta quarta-feira, 5, que a região Sul registrou novo recorde de demanda três minutos antes do desligamento, chegando a um consumo de 17.357 MW. A falha no fornecimento atingiu estados das regiões Sudeste, Centro-Oeste, Sul e Norte, deixando cerca de 6 milhões de pessoas sem energia.

"Quando o sistema opera no limite é que os problemas aparecem, porque começam a puxar energia de todos os cantos", afirma. Segundo ele, a demanda média por energia em janeiro desse ano está cerca de 18% maior que em janeiro do ano passado. Roberto Pereira D'Araújo, professor adjunto da Coppe/UFRJ, também aponta que os níveis baixos dos reservatórios podem ter causado alguma sobrecarga na linha de transmissão. "A subestação de Colinas é muito importante para o Brasil porque ela é quem manda energia para o Nordeste e para o Sudeste. Esse curto circuito que ocorreu na linha pode sim ter sido causado por sobrecarga", disse à Agência CanalEnergia.

Para D'Araújo, essa tentativa do governo de dizer que a interrupção no fornecimento não tem a ver com o momento energético delicado pelo qual passa o país não tem sentido algum. Ele discordou ainda do secretário-executivo do Ministério de Minas e Energia, Márcio Zimmermann, que disse na última terça-feira, 4, que o sistema está em equilíbrio. "O sistema está em desequilíbrio. Um sistema que está em equilíbrio não tem essa conta das térmicas que está sendo apresentada", comentou. Walter Fróes, presidente da CMU Comercializadora não vê, no entanto, relação direta entre a interrupção e o baixo nível dos reservatórios. Mas, para ele, essa é uma situação típica de um sistema operando no limite, com uma carga muito próxima da demanda.

Segundo o diretor-geral do Operador Nacional do Sistema Elétrica, Hermes Chipp, dois curtos-circuitos provocaram a queda de duas linhas de transmissão entre Miracema e Colinas, causando a interrupção no fornecimento de energia. O ONS chegou a corta 6,8 GW para evitar um apagão no Centro-Sul do país. Uma reunião marcada para esta quinta-feira, 6, vai revelar o que ocasionou os curtos circuitos.

Fonte: Canal Energia - 05/02/2014

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