A carga do sistema Sudeste\Centro-Oeste representa hoje o grande gargalo em termos de risco de deficit energético no país, com um descompasso entre oferta e consumo de 2.100 MW médios em 2014, segundo estudo feito pela professora da UFRJ e consultora Leontina Pinto. O trabalho encomendado pela Associação Brasileira de Fomento às Pequenas Centrais Hidroelétricas concluiu que esse descasamento estressa e fragiliza a rede de transmissão, e a possibilidade de apagões passou de 1,84 ocorrência no ano passado para 3,83 ocorrências esse ano.
Os desligamentos devem retirar seletivamente do Sistema Interligado em 2014 uma carga de 4,6 GW médios, para evitar que a interrupção se propague pelo SIN. A especialista afirma que o sistema está instável, porque o problema tem sido resolvido com o transporte de energia a plena carga por longas distâncias.
O estudo utilizou 10 mil cenários de conexão e perda de carga do sistema e seus resultadoss apontam para a possibilidade de perdas severas de carga nos próximos anos, com o aumento no risco e no número de dias por ano em que podem ocorrer apagões. Em 201
8, as interrupções podem chegar a 14,67 dias no período de 12 meses.
8, as interrupções podem chegar a 14,67 dias no período de 12 meses.
Os eventos guardam relação com a tendência de aumento do déficit energético do Sudeste e do Centro-Oeste no mesmo período de 2014 a 2018, com o pico de 6.700 MW médios naquele ano.
"O maior problema do déficit é que hoje ele é enfrentado quase que exclusivamente através de linhas de transmissão de grande extensão, sujeitas a perturbações atmosféricas, queima de equipamentos, atuação de sistemas de proteção, e outros frutos do rápido crescimento da carga em relação ao crescimento do PIB", destaca relatório técnico elaborado pela AbraPCH, com base nas conclusões do estudo.
Para a professora e consultora da Engenho Pesquisa, Desenvolvimento e Consultoria Ltda, "o risco bate à porta, é iminente, e requer medidas urgentes de controle e proteção". O estudo finalizado por Leontina Pinto em outubro do ano passado será enviado agora pela AbraPCH à Presidência da República, ao Tribunal de Contas da União, à Controladoria Geral da União e ao Ministério Público Federal.
O presidente da associação, Ivo Pugnaloni, lembra que esse risco não existiria se o planejamento de expansão do sistema priorizasse empreendimentos de geração próximos aos centros de consumo. Pugnaloni afirma que o potencial de aumento da capacidade instalada dos projetos de pequenas centrais hidrelétricas existentes ou na fila para aprovação totaliza 9.200 MW, com investimento previsto de R$ 60 bilhões no processo de construção. Ele também acusa a Agência Nacional de Energia Elétrica de morosidade na aprovação dos estudos e projetos apresentados pelos empreendedores.
Fonte: Canal Energia - 14/02/2014

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